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quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Desenvolvimento local

Resultado de nossa enquete: o Projeto Porto Maravilha tem condições de promover o protagonismo dos ativos históricos e culturais da região portuária do Rio de Janeiro?
  • Sim, desde que esses ativos possuam o apelo turístico valorizado pelo mercado 46%
  • Não. Os ativos valorizados pelo Projeto destacam elementos externos à história e à cultura do local 23%
  • Não tenho opinião, pois as informações sobre o Projeto não estão sendo amplamente divulgadas à sociedade carioca 31%
 Nossa opinião

O resultado da nossa enquete denota a preocupação dos leitores com o legado que os vultosos investimentos feitos na cidade do Rio de Janeiro devem representar futuramente ao desenvolvimento de nossa cidade.

Quase metade de todos os participantes expressou a preocupação com a vertente mercadológica do progresso advindo do Projeto Porto Maravilha para a população carioca, em detrimento das opções que ou destacavam que outros ativos deveriam igualmente ser priorizados ou aquela em que sempre medimos o nível de presença das questões públicas junto aos nossos bem informados leitores. Em outras palavras, significa dizer que uma boa parcela dos nossos leitores está bem informada sobre o referido projeto e concorda que as informações estão sendo amplamente divulgadas à sociedade em geral.

Um ponto nos intriga quanto ao percentual de leitores que acredita que o Projeto Porto Maravilha não tem condições de promover o protagonismo dos ativos históricos e culturais da região portuária do Rio de Janeiro, justamente porque os ativos valorizados pelo Projeto destacam elementos externos à história e à cultura do local.  Esse percentual é mínimo, o menor entre os respondentes.

A nossa dúvida é se esses leitores acreditam que um projeto dessa dimensão não deveria mesmo priorizar os ativos históricos e culturais locais sob o risco não mirar o futuro, ou se eles acreditam que ativos de forte apelo turístico, valorizados pelo mercado é que têm mais potencial de promoção do desenvolvimento de nossa cidade.

É sutil a diferença, mas traz no interior de sua reflexão uma mudança estratégica importante na concepção do projeto de cidade que planejamos para o Rio de Janeiro. Pois ao priorizarmos precisamente o que é mais valorizado pelo mercado, talvez percamos importantes diferenciadores que nos permitirão perceber como a cultura pode contribuir para o desenvolvimento local e por isso mesmo nos tornar mais robustos em relação ao almejado objetivo de desenvolvimento.

É interessante, acreditamos, analisar casos mundiais bem-sucedidos e observar como o resgate e a preservação do patrimônio histórico, cultural, simbólico de um grupo de pessoas foi decisivo na virada que deram em suas cidades rumo a melhoria das condições gerais de convívio e justiça social. E ainda, por outro lado, como o mercado per si não é capaz de promover o bem-estar coletivo sustentável no longo prazo para as nossas cidades.

Voltaremos ao assunto em breve no blog. Contamos com a participação de todos os nossos leitores em relação às preferências aqui expressas e reforçamos que esse é um espaço, sobretudo, para a pluralidade de ideias!

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Unidades de Polícia Pacificadora

Resultado de nossa enquete: as unidades de polícia pacificadoras – UPP têm condições de contribuir para o desenvolvimento socioeconômico das regiões onde estão instaladas?
   
  • Sim, porque ao serem eficazes no enfrentamento da violência naturalmente o mercado responde de modo favorável e direciona investimentos privados necessários, o que estimula também a presença dos poderes públicos  7%
  • Sim, desde que estejam estrategicamente articuladas com outras políticas públicas e ações empresarias que enfatizem investimentos sociais e geradores de trabalho e renda  48% 
  • Não, porque somente enfrentar o problema da violência não é suficiente para reverter o quadro de mazelas econômico-sociais presente nessas regiões  16% 
  • Não, porque essas unidades de polícia têm apenas a finalidade de dar uma satisfação à mídia em virtude dos eventos internacionais previstos para acontecerem no Rio de Janeiro nos próximos anos  24%
  • Não tenho acompanhado os debates sobre as UPP  5%

Nossa opinião

O resultado da enquete, onde o maior número de nossa audiência identifica que as UPPs apenas terão condição de serem efetivas políticas de desenvolvimento socioeconômico, desde que estejam estrategicamente articuladas com outras políticas públicas e ações empresarias que enfatizem investimentos sociais e geradores de trabalho e renda, demonstra de certa forma um amadurecimento na percepção de que, nenhuma ação isolada é capaz de resolver demandas tão complexas quanto as questões sociais, urbanas, de uma metrópole do tamanho da cidade do Rio de Janeiro.

É claro que concordamos com essa ideia expressa no resultado, mas o mais importante aqui nos parece ser o destaque ao fato de que essa política de pacificação das localidades mais empobrecidas da cidade pode ser uma excelente oportunidade de estender outros atendimentos em prol da melhoria de vida de uma parcela da população que durante tantos anos se viu alijada das mínimas condições de sobrevivência digna, porque se via cerceada do direito básico de circular pela cidade. Itens tão básicos quanto o atendimento de serviços de infra-estrutura, transporte, equipamentos urbanos etc. Nesse sentido, acabar com a violência pode ser um excelente primeiro passo.

Por último, cabe concordar com um outro ponto destacado que é o fato de que, além de políticas articuladas – segurança, habitação, infra-estrutura etc., deveríamos ter atores articulados por um objetivo que transcenda a “maquiagem para as grandes festas de 2014 e 2016”. Só assim, reunindo Estado, Sociedade civil organizada e o mercado (empresários, empresas e suas visões estratégicas), talvez pudéssemos começar a reconstruir a nossa cidade maravilhosa, articulando mudanças profundas de planejamento urbano e justiça social, pelo desenvolvimento do Rio de Janeiro e de todos os cariocas.

Devemos estar otimistas, com muita expectativa, mas, sobretudo sempre envolvidos em todos os processos, programas, projetos e oportunidades de representatividade nos fóruns decisórios que capitanearão essa grande oportunidade de mudança.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Plurimus

Plurimus, 3 anos de blog!


No dia 23 de junho de 2008 iniciávamos o nosso blog com o artigo Responsabilidade Social Empresarial. Para marcar a data esta edição apresenta novamente o tema, agora pelo entendimento de Wagner Siqueira, presidente do Conselho Regional de Administração - CRA-RJ.

Inicialmente, nossa intenção foi oferecer um meio de informação e comunicação sobre temas como história, cidadania, desenvolvimento local, gestão etc, para apoiar os projetos educacionais que desenvolvemos. No entanto, a aceitação foi além da proposta inicial. Já contabilizamos mais de 7 mil acessos desde maio de 2009, quando começamos a registrar a frequência ao blog. O quadro abaixo demonstra que a procura por nossos artigos tem origem em diversas partes do mundo. E isso é extremamente gratificante!

Do mesmo modo, os comentários que recebemos e as participações nas enquetes que realizamos qualificam o trabalho realizado.

Essas respostas nos estimularam a experimentar o twitter como mais um modo de comunicação.

Como mais novo desafio temos agora o projeto de criação de uma revista eletrônica! É claro, porém, que a continuação e ampliação da receptividade do trabalho que realizamos serão ingredientes fundamentais para a empreitada!

Continuem nos acompanhando e participando!


Muito obrigado!

Plurimus



quinta-feira, 16 de junho de 2011

Rio + 20

Resultado de nossa enquete: a Conferência das Nações Unidas sobre desenvolvimento sustentável acontecerá no Rio de Janeiro, em junho de 2012, para marcar o vigésimo aniversário da ECO 92. Você está otimista com relação aos resultados que podem advir desse encontro mundial?
  • Sim. Será uma grande oportunidade de se estabelecer um novo pacto mundial para uma economia verde e a justiça social, principalmente devido aos graves problemas socioambientais, acontecidos no mundo todo nos anos recentes 19%
  • Sim, principalmente porque pode se tratar de um momento de grande mobilização da sociedade civil em torno de um tema de interesse público, gerando um ponto de inflexão na forma como participamos de importantes discussões sobre os rumos do nosso planeta 24%
  • Não. Será mais uma oportunidade perdida devido principalmente à resistência de alguns países, principalmente os Estados Unidos e a China em assumir compromissos responsáveis em prol de um desenvolvimento sustentável 11%
  • Não, porque os possíveis avanços vindos de encontros como esses não são suficientes para a construção de uma nova consciência e prática sustentável nos países e na sociedade em geral, que comumente nem costuma ficar sabendo desses eventos 27%
  • Tenho pouca informação a respeito dos objetivos da Conferência para me posicionar 19%

Nossa opinião

A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (UNCSD) está sendo organizada em conformidade com a Resolução da Assembleia Geral 64/236 (A/RES/64/236). Acontecerá  no Brasil em junho de 2012 para marcar o 20º aniversário da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (UNCED), de 1992, no Rio de Janeiro, e o 10º aniversário da Cimeira Mundial de 2002 sobre o Desenvolvimento Sustentável (WSSD), em Joanesburgo. Prevê-se como uma conferência ao mais alto nível decisório, uma vez que inclui chefes de Estado e de Governo ou outros representantes. A Conferência irá resultar em um documento cujo objetivo é o de garantir um compromisso político renovado para o desenvolvimento sustentável, avaliar o progresso alcançado e as lacunas na implementação dos resultados das cimeiras importantes de desenvolvimento sustentável e enfrentar os desafios novos e emergentes.

Os posicionamentos acirrados na enquete que realizamos apontam para uma diferença de 5 pontos percentuais a favor de uma expectativa otimista. No entanto, se considerarmos as alternativas separadamente o ceticismo predomina, uma vez que 27% dos que responderam entendem que a iniciativa não é suficiente para a efetivação de uma prática sustentável, principalmente devido a um afastamento da sociedade em geral com relação ao tema.

Talvez o pouco destaque na mídia ou a simplificação da prática da sustentabilidade ainda predominante nas iniciativas empresariais e governamentais estejam contribuindo para o baixo esclarecimento com relação ao tema (resposta de 19% dos nossos leitores que responderam a enquete). Tudo isso ocorre apesar da relevância que o tema possui, principalmente devido ao agravamento dos problemas socioambientais nos anos recentes.

Novamente reiteramos que a mobilização da sociedade civil pode ser determinante para que resultados de eventos como a Conferência Rio +20 sejam indutores da construção de uma nova ordem mundial. E os recentes acontecimentos no Egito, na Espanha, em Portugal e outros países que têm tido uma participação popular de destaque no questionamento às políticas de ajuste econômico ou na luta por democracia podem ser importantes exemplos.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Hidrelétrica de Belo Monte

Resultado de nossa enquete: deve o governo federal investir na construção da hidrelétrica Belo Monte?

Sim. O país não pode prescindir da utilização do seu potencial hidrelétrico, mesmo que cause alguns problemas ambientais. O crescimento econômico deve ser a prioridade 6%

Sim, desde que sejam equacionados os possíveis problemas socioambientais da construção, mesmo que signifique um elevado desembolso financeiro 11%

Não. A prioridade deve ser a utilização de outras fontes de energia que respeitem o ambiente 18%

Não, porque há controvérsias sobre o verdadeiro potencial da hidrelétrica e o custo vs. benefício pode não compensar 36%

Ainda não tenho opinião formada, porque o tema está muito politizado dificultando uma análise mais consistente 29%

Nossa opinião

Entendemos que, além de polêmico, o assunto é complexo. Afinal, o país necessita de energia para sustentar o desenvolvimento e o potencial hidrelétrico de que dispomos não pode ser ignorado. No entanto, outras fontes de energia têm sido apontadas como recomendáveis a um custo ambiental menor. A possibilidade de que a relação custo vs. benefício seja desfavorável ao projeto Belo Monte (resposta de cerca de 36% dos leitores que participaram da enquete) aponta para a necessidade de transparência e ampliação da participação da sociedade civil na decisão.

O fato de o tema estar politizado para cerca de 29% dos que responderam a enquete não deve remeter a um sentimento de que existe uma solução técnica isenta de um viés político. Isto porque a técnica não é neutra. As diversas opções técnicas colocadas obedecem a posicionamentos acerca do modo de desenvolvimento a ser assumido pelo país – assunto nem sempre frequente no repertório da opinião pública. Talvez os mecanismos de comunicação com a sociedade não estejam sendo eficazes, o que dificulta em último caso o próprio exercício democrático da cidadania.

Além disso, os recentes conflitos entre empreiteiros e trabalhadores das obras do PAC (Jirau e Santo Antônio, por exemplo) reforçam a compreensão de que não basta criar projetos que estimulem o crescimento se eles deixam rastros de pesados conflitos sociais e ambientais. Crescimento e desenvolvimento não são sinônimos! Talvez, tão importante quanto a definição da matriz energética do país seja o processo de discussão na sociedade, cuja democracia ainda se constrói.

Finalmente, discussões desse tipo são urgentes, porque estamos a poucos meses da Conferência de Desenvolvimento Sustentável Rio + 20, que ocorrerá em nossa cidade no período de 4 a 6 de junho de 2012. Essa será uma oportunidade para o país se apresentar como protagonista de uma outra perspectiva de desenvolvimento. Para tanto, será preciso fazer bem-feito o dever de casa.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Sustentabilidade

Resultado de nossa enquete: como o governo do Rio de Janeiro deve conduzir a busca de uma solução para os problemas causados pela CSA na região de Santa Cruz?
  • Deve contemporizar e negociar exaustivamente, pois trata-se de importante investimento privado para o estado e que contou com recursos públicos - 19%.
  • Deve aplicar pesadas multas e direcionar esses valores para equacionar os problemas socioambientais gerados pela siderúrgica - 23%.
  • Deve exigir a imediata suspenção das atividades da siderúrgica até que os graves problemas socioambientais sejam resolvidos - 13%.
  • Deve multar e suspender as atividades da siderúrgica até que os problemas socioambientais sejam resolvidos - 45%.

Nossa opinião


Primeiramente temos que reconhecer que recursos públicos devem ser geridos de modo público! Ou seja, com transparência e com ênfase em causas que tenham repercussão positiva para o conjunto da sociedade. E os aspectos socioambientais são cada vez mais entendidos como preocupação relevante para a população. O resultado da nossa enquete, na qual 81% entendem que a siderúrgica deve ser penalizada pelos problemas causados, reforça essa preocupação com os aspectos socioambientais da atividade empresarial e da gestão pública. Desse modo, apoiar a conquista de investimentos privados pode ser uma boa iniciativa, desde que preserve tais princípios (que não esgotam o tema).

Em nossas consultas a sites dos governos estadual e municipal não identificamos a existência de critérios socioambientais como contrapartida ao apoio público ao investimento privado, nem um monitoramento permanente do cumprimento de possíveis exigências desse tipo. Se existem (e devem existir), estão restritos a instâncias da burocracia governamental e a sociedade não está participando desse processo, embora sofra com os desdobramentos negativos do não cumprimento de requisitos socioambientais por parte da TKCSA. Também os sites da empresa não informam suas práticas preventivas e corretivas.

Durante a realização da nossa enquete acompanhamos e divulgamos neste blog diversas notícias acerca dos problemas socioambientais da implantação do projeto da TKCSA em Santa Cruz. Embora tenhamos monitorado também a grande imprensa nacional, não identificamos notícias positivas em relação às práticas socioambientais da siderúrgica.

A questão é bastante delicada, principalmente porque esses problemas apresentados pela TKCSA podem se potencializar uma vez que estão previstos elevados investimentos na mesma região. Excluir a sociedade das discussões acerca do direcionamento de recursos públicos com fins privados não é uma prática adequada para uma democracia que tenta se consolidar. Reiteramos que esses investimentos privados, associados ao apoio público, são relevantes e necessários numa democracia capitalista que almeja se desenvolver de modo sustentável, o que significa muito mais do que apenas crescer na perspectiva econômica.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Enquete Plurimus


Educação e Cultura de qualidade para todos


Resultado de nossa enquete: na sua opinião qual deveria ser o foco das políticas públicas da próxima gestão do governo do estado do Rio de Janeiro?

a) Educação e Cultura de qualidade e para todos, para que se inicie um processo sustentável de reversão do trágico quadro de marginalização da juventude 67%

(b) Trabalho e Renda, como uma estratégia de diminuição das desigualdades e de inclusão social 11%

(c) Saúde e Habitação, visto que as políticas desses setores vêm sendo negligenciadas há tempos pela gestão pública 7%

(d) Planejamento urbano, incluindo projetos e ações de melhorias de infra-estrutura urbana e principalmente de segurança pública 15%

Nossa opinião

O resultado da enquete reforça que os leitores da Plurimus têm a exata percepção do grande problema social causado pela desigualdade. Quando quase 70% dos respondentes identificam que o foco das políticas públicas da próxima gestão do governo do estado do Rio de Janeiro deveria ser a promoção de educação e cultura para todos, como forma de reversão de um quadro de marginalização da nossa juventude. O consenso parece gritar o seguinte: acreditamos que condições semelhantes de partida podem permitir trajetórias exitosas.

Ficamos orgulhosíssimos com esse brinde à cidadania proporcionado pelos nossos leitores. Afinal, fim de ano, início de um novo ciclo de gestão do nosso estado, é sempre tempo de sentir esperança de que as pessoas são o ativo mais importante que o Rio de Janeiro possui. E que tratando de municiar esse povo de condições de desenvolvimento, nosso estado protagonizará uma bela história.

Não podemos deixar de mencionar, é claro, nosso segundo lugar na resposta dos leitores: planejamento urbano, isto é, infra-estrutura e segurança pública. Então fica um recado para os nossos governantes, mas sobretudo para nós mesmos, cada um de nós como uma espécie de observatório individual da realidade social que gostariamos de presenciar em nossas cidades e em nosso estado. Se essa é realmente uma demanda social desse nosso tempo, devemos nos aproximar da gestão pública, monitorar os avanços nesse sentido e cobrar energicamente resultados concretos de mudança.

Tomar parte em discussões e fóruns - sejam quais e em que quantidade forem - onde se possa fazer ouvir a voz de quem emanou os formuladores e executores das políticas públicas, do poder de representar a cada um de nós em nossas demandas mais prioritárias e urgentes. Participar ativamente da construção do Rio de Janeiro que queremos.

Feliz 2011! Votos de um ano cheio de grandes projetos e sustentáveis avanços!

Equipe Plurimus Educação e Cultura

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Mídia


Resultado de nossa enquete


Você pretende utilizar as informações da grande imprensa para decidir quais serão os seus candidatos nas próximas eleições?

  • Sim, afinal, grande imprensa tem contribuído para o aperfeiçoamento da democracia no país. (2%)
  • Não, porque a grande imprensa tende a se manifestar a partir de seus próprios interesses econômicos e políticos. (49%)
  • Não pretendo votar em nenhum candidato nas próximas eleições. (8%)
  • A grande imprensa será mais uma dentre todas as fontes que pretendo considerar. (41%)
Nossa opinião

Notamos, pelo resultado de nossa enquete uma acentuada descrença na mídia brasileira por parte da maioria dos nossos leitores. Aqueles um pouco menos incrédulos na neutralidade do conteúdo veiculado em períodos eleitorais (parte igualmente considerável dos respondentes da nossa pesquisa), quando muito a consideram entre as muitas fontes consultadas na busca por informações sobre os candidatos que disputam, com as mais diferentes e variadas estratégias a nossa atenção.

Se por um lado, esses números podem ser lidos otimistamente como uma ampliação no rigor da população na pesquisa de dados que qualifiquem sua escolha eleitoral, por outro, pode ser interpretada como uma queda na percepção da reputação dos veículos de informação. E em alguns casos um repúdio mesmo à consideração de algumas fontes, que já não fazem mais qualquer sentido para as pessoas mais exigentes com a mídia.

Por fim, cabe registrar que quase inexiste a crença de que a imprensa tem contribuído para o aperfeiçoamento da democracia no país. O que é um grande pesar para todos nós, uma vez que sim, a grande mídia deveria ser percebida – e atuar – como uma ‘instituição’ de capital importância para a consolidação e a garantia da democracia nos países. Principalmente, num momento em que os veículos de comunicação assumem como bandeira a causa da liberdade de imprensa e de expressão em clara oposição aos governos.

Se o Brasil por um lado não pode confiar 100% nessa instância, por outro, não pode prescindir de cobrar insistentemente uma mídia séria, profissional e transparente. Mesmo que essa cobrança se dê por meio do boicote a esses veículos como fonte de informação.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Cidadania


Resultado de nossa enquete


Mediante o contexto contingencial das últimas catástrofes em decorrência das fortes chuvas no estado do Rio de Janeiro, qual é a sua opinião sobre a principal responsabilidade pela recorrência desse tipo de problema em todos os períodos de chuva?


  • Do Estado, que não faz cumprir o seu papel de garantidor da proteção ambiental dessas áreas e do planejamento habitacional urbano. 39%
  • Do povo, que não cumpre a legislação em vigor, não respeita as áreas de proteção ambiental e não entende que o patrimônio natural público é de todos e que, portanto, deve ser preservado. 19%
  • Da sociedade civil organizada, que não tem cumprido sua missão social de contribuir para uma discussão ampliada das questões ambientais e demandas habitacionais da população – planejamento urbano. 42%

Nossa opinião

O resultado desta enquete reflete que a quantidade do nosso público que acredita ser responsabilidade exclusiva do Estado a garantia da proteção ambiental e do planejamento urbano é praticamente igual à parcela que julgou ser esta responsabilidade da sociedade civil, que no cumprimento de sua missão social deveria contribuir para uma discussão ampliada das questões ambientais e demandas habitacionais da população.

Entredito nessa resposta, nota-se um ponto curioso: ao mesmo tempo em que os respondentes da alternativa (a) denotam um nível de amadurecimento tal, que reivindica do Estado o exercício do seu papel de planejador urbano (um clássico exemplo de democracia representativa); os votantes da alternativa (b) entendem que sendo a sociedade civil portadora de melhores condições de ampliar a discussão acerca dos deveres de cada cidadão, é co-responsável pela conscientização acerca de questões ambientais e demandas sociais da população (democracia participativa).

E por fim, o baixíssimo mea culpa expresso no percentual daqueles que acreditam ser responsabilidade de cada um o uso diligente do patrimônio natural das nossas cidades, destoando das demais alternativas. Apesar da opção embutir um discurso rotulador do povo como aquele ente que precisa ser tutelado para que cumpra seus deveres.

Concluindo, registramos o que de mais importante poderíamos destacar nessa enquete: o fato de que o exercício nos oportunizou a possibilidade de refletir sobre a parcela de co-responsabilidade de cada um nas questões que tocam o interesse público, isto é, de todos os cidadãos. Na verdade, nenhuma das alternativas, isoladamente, dá conta de expressar a totalidade dos deveres de cada instância, tampouco a soma de algumas delas. Todas elas trazem em si verdades incontestáveis e lacunas a serem preenchidas.

O ganho pode estar precisamente na reflexão!

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Educação e mercado


Resultado de nossa enquete: como você entende a conduta dos alunos da UNIBAN em relação à aluna que usou uma minissaia na universidade?

  • Correta, afinal trata-se de um ambiente educacional que deve ter uma conduta compatível. 0%
  • O sentimento dos alunos foi correto, mas eles exageraram na manifestação de repúdio. 10%
  • Foi equivocada. Uma atitude tipicamente moralista, pois o fato da aluna usar roupa mais ousada não pode ser motivo para a coletividade assumir atitudes que aviltem o direito de liberdade individual. 71%
  • Foi equivocada, mas compreensível por se tratar de uma manifestação típica de jovens. 19%
Nossa opinião

Inicialmente queremos manifestar nossa concordância com o artigo de Emir Sader, recentemente reproduzido neste blog. De fato, a orientação para o mercado que tem predominado na educação está, em muitos casos, descaracterizando o processo educacional, tão necessário para uma formação humana, profissional e cidadã. E esse modo dito educacional contribui diretamente para o aviltamento da formação, da percepção do outro e do que não se resolve "pelo mercado". A enquete que fizemos reforça essa posição com 71% que consideram a atitude equivocada. Se acrescentarmos aqueles que consideram a atitude equivocada (19%), mas a compreendem pelo fato de serem jovens, o percentual atinge 90%. Esses jovens contribuiriam muito mais para suas formações e para a sociedade se renovassem as bandeiras dos movimentos estudantis que lutaram pela anistia e pela redemocratização do país, ou mesmo daqueles que foram às ruas expulsar o Collor do poder. Motivos para isso ainda existem.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Cidades sustentáveis


Resultado de nossa enquete: é possível o Rio de Janeiro promover os Jogos Olímpicos de 2016, preservando o ambiente e garantindo a sustentabilidade, conforme tem sido divulgado pelos organizadores da candidatura?

  • Sim. Esse é o grande diferencial da candidatura do Rio de Janeiro 39%
  • Não. É apenas mais uma retórica para aproveitar um tema do momento 16%
  • O Rio de Janeiro não tem qualquer chance de realizar os Jogos Olímpicos, porque concorre com potências econômicas 3%
  • O Rio de Janeiro pode dar um grande exemplo de como equilibrar desenvolvimento econômico e responsabilidade socioambiental 42%

Nossa opinião

As respostas evidenciam um sentimento amplamente favorável à possibilidade de que o Rio de Janeiro realize Jogos Olímpicos, preservando o ambiente e garantindo a sustentabilidade. É claro que o desejo de que esse evento se realize na cidade, aliado ao apoio da mídia pode influenciar tais expectativas. No entanto, ter a sustentabilidade como tema central pode significar um importante caminho para a aplicação dos vultosos investimentos previstos. O Rio é uma cidade que ainda tem a natureza como importante diferencial, apesar da atuação devastadora da especulação imobiliária e dos efeitos que a miséria e o descaso com os temas sociais historicamente ocasionaram no ambiente.

Assim, a propalada intenção de realizar uma olimpíada sustentável pode ser uma oportunidade, desde que sua execução não se torne mais uma retórica oficial ou uma maquiagem adotada apenas para favorecer a uma “estratégia de marketing”. As organizações da sociedade civil que tem compromisso com a sustentabilidade devem vigiar e cobrar uma execução de fato de um projeto olímpico sustentável, mesmo que ele não seja olímpico.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Lei de Incentivo à Cultura


Resultado de nossa enquete: você é a favor de que artistas consagrados sejam beneficiados por Leis de Incentivo cultural?

  • Sim. O Ministério da Cultura não pode restringir o alcance da política de incentivo à cultura a nenhum artista brasileiro, devendo esta ser a mais universalizante possível. 0%
  • Não. A lógica do fomento à cultura é justamente viabilizar projetos que, não tendo apelo comercial, só poderiam ser realizados por meio de Leis de Incentivo. 100%
Nossa opinião

O resultado, inédito em nossas enquetes reflete uma compreensão, com a qual compartilhamos, de que políticas públicas de cultura não devem ser pautadas por uma orientação de mercado. Artistas consagrados possuem acesso facilitado ao mercado. Empresas que pretendem associar sua marca a esses artistas podem avaliar o retorno comercial e investir recursos próprios, sem utilizar a renúncia fiscal. As áreas de marketing têm instrumentos adequados para avaliarem o retorno comercial desse tipo de patrocínio. O que devemos ter clareza é que uma Lei de Incentivo Cultural, viabilizada com recursos de toda a sociedade, não pode ser reduzida a um apelo de mercado. Se as empresas têm interesse em apoiar a cultura existem projetos aguardando o tão relevante apoio efetivamente cultural.

Um outro ponto não refletido na resposta do público - e talvez porque a pesquisa seja a partir de um questionário fechado - é de propor ferramentas que garantam um processo efetivamente democrático de construção de políticas públicas. Quem vai decidir se um espetáculo tem retorno comercial ou não pode cometer equívocos. Esse retorno pode ser subjetivo e variar de acordo com as regiões do país, características culturais específicas etc. Uma alternativa pode ser a proposição de faixas de incentivo e de aplicação de recursos nesses projetos, mas nunca limitação de uma política pública de seu caráter universalizante... O MinC tem especialistas nesses assuntos (e se não tiver, temos articuladores e grandes estudiosos da questão no Brasil). E a resposta pode ser mais bem elaborada que apenas o veto ou aprovação de alguns espetáculos/produtos culturais.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Sustentabilidade


Resultado da enquete: a migração da ideia de Responsabilidade Social Empresarial para a de Sustentabilidade é mais um modismo ou representa o aprimoramento do princípio de co-responsabilidade das empresas com a sociedade, o planeta e a qualidade de vida das próximas gerações?

  • Sim. É mais um modismo, porque na prática empresarial ainda predomina a perspectiva essencialmente econômica em detrimento de compromissos sociais e ambientais 50%
  • Não. Hoje temos excelentes exemplos de práticas sustentáveis de empresas, o que fortalece o equilíbrio entre as perspectivas econômica, ambiental e social 27%
  • A ideia da sustentabilidade é incompatível com uma sociedade orientada para o consumo imediato 15%
  • A grande responsabilidade social de uma empresa é gerar empregos, pagar salários e cumprir com os compromissos de tributos e impostos, principalmente em períodos de crise como o atual 8%

Nossa opinião

O conflito entre o modo de competição da sociedade de mercado de um lado, e a preservação do planeta e o desenvolvimento social de outro tem sido amplamente abordado nas décadas recentes. A forte ênfase na maximização dos resultados econômicos e financeiros, característica essencial do capitalismo, está conduzindo o planeta a um rápido esgotamento dos seus recursos naturais renováveis e não renováveis. Além disso, as condições sociais de um modo geral se agravam, a despeito de alguns resultados favoráveis, decorrentes de ações localizadas.

Se a responsabilidade social tem sido incorporada ao discurso empresarial e governamental, a prática ainda se distancia de um efetivo comprometimento, fato que tem sido constatado por meio de diversas opiniões de especialistas no assunto, relatórios de desenvolvimento apresentados por governos e organismos internacionais, manifestações de organizações de defesa do ambiente e dos direitos sociais, entre outros. A constatação é de que predominam iniciativas filantrópicas e pontuais que apenas atenuam os problemas sociais e ambientais, mas que são destacadas como de excelência por fortes campanhas de marketing.

Desse modo, a ideia de Sustentabilidade, que preconiza o equilíbrio entre o desenvolvimento econômico, social e ambiental, e representa importante avanço na RSE, tem a sua credibilidade bastante comprometida, o que é o entendimento de 50% dos participantes de nossa enquete. A atual crise financeira mundial, que concentra a aplicação de recursos financeiros dos países (e dos cidadãos) nas mãos dos grandes conglomerados em detrimento de investimentos sociais, bem como as dificuldades de implementação do Protocolo de Kioto reforçam o ceticismo predominante em relação a um efetivo comprometimento com a Sustentabilidade.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Cultura


Resultado de nossa enquete: ao reformular a Lei de Incentivo à Cultura, propondo mecanismos que limitem a escolha pelas empresas dos projetos que receberão investimentos oriundos de renúncia fiscal, o MinC está praticando dirigismo cultural e cometendo a mesma parcialidade?

  • Sim, a forma como o novo projeto de lei está desenhado desvirtua os propósitos iniciais de mecenato em que o objetivo era aproximar o setor privado das políticas culturais do país (24%)
  • Não, os recursos oriundos de renúncia fiscal devem ser melhor utilizados e as empresas só utilizam esse mecanismo com objetivo de fazer marketing com recurso público (35%)
  • Talvez, a Lei de incentivo a cultura deve ser revista de forma que promova uma melhor distribuição dos recursos públicos em prol da cultura no país, mas sem que restrinja uma forma ampla de participação de todos os setores (público e privado) (41%)


Nossa opinião

A resposta da enquete demonstra a clara insatisfação, que parece ser geral, pelo menos para produtores de bens de cultura no país, com a atual Lei de Incentivo à Cultura. Nem adere indiscriminadamente todas as medidas propostas pelo novo projeto nem decreta a total ineficiência da Lei Rouanet. A maioria pontua que há falhas, mas que nem todas as respostas dadas pelo MinC atenderão à demanda por melhor distribuição de recursos e maior incentivo em cultura, seja ele privado ou público.

Quem tem acompanhado as discussões acerca da revisão no mecanismo, também já se deu conta que o problema não está no PRONAC (Programa Nacional de Apoio à Cultura) em si, nem estará completamente resolvido caso instituído seja o PROFIC (Programa Nacional de Fomento e Incentivo à Cultura), simplesmente porque faltam investimentos mais robustos e sistemáticos do Estado brasileiro na cultura produzida por aqui.

A Lei Rouanet não é ineficiente porque só o sudeste se beneficia dos recursos oriundos de renúncia fiscal das empresas, aplicados nos projetos, quase sempre realizados por aqui mesmo. A Lei 8.313/93 previu em sua formulação original três mecanismos de investimento em cultura, dos quais, atualmente, um funciona de maneira limitadíssima – Fundo Nacional da Cultura – um nunca saiu do papel – Ficarts, uma das propostas da Lei reformulada – e o outro – mecenato – rouba a cena, justamente pela falta de orçamento (e critério) público destinado à cultura.

Infelizmente, a resposta apontada pelo projeto que esteve em consulta pública até 06/05 não é a mais inteligente que os competentes técnicos e gestores do MinC poderiam dar, porque continua deixando de fora uma proposta clara de investimento forte do Estado nas muitíssimo vastas expressões da nossa Cultura.

Fato indiscutível é que, não queremos uma secretaria do “bom gosto”, ou da “cota politicamente correta”, avaliando os projetos – no caso do investimento do mecenato – e classificando-os em faixas de incentivo privado, de acordo com regras subjetivas e pouco claras que determinam se são de interesse público ou não, isso sim seria dirigismo, isso sim, seria um grande retrocesso. E não necessariamente resgataria a equanimidade do investimento privado em projetos culturais.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Favela


Resultado de nossa enquete: você é a favor da colocação de muros para conter a expansão das favelas sobre as matas?


  • Sim, é preciso preservar a mata atlântica 16%
  • Sim, é preciso conter a expansão das favelas 7%
  • Não, as favelas se expandem por falta de políticas públicas 55%
  • Não, as favelas continuarão se expandindo 22%

Nossa opinião


De fato, o resultado da enquete confirma o que tem sido apontado em enquetes similares, realizadas pela mídia nas últimas semanas. A prática comumente adotada de esconder a miséria e a violência colocando-os em guetos parece que não encontra mais respaldo na sociedade civil. Não se trata, porém, de sermos negligentes com a nossa mata. É claro que ela precisa ser preservada. E a miséria é um dos causadores de problemas ambientais. No entanto, a proposta não parece ser nessa direção. Mantém as precárias condições de vida das populações que habitam essas comunidades carentes e não enfrenta os causadores dos problemas ambientais, inclusive a especulação imobiliária.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Desenvolvimento

Resultado de nossa enquete: é possível compatibilizar desenvolvimento econômico e desenvolvimento social?

  • Sim. Se não houver desenvolvimento social não haverá desenvolvimento, apenas crescimento econômico. 54%
  • Não. Os modelos atualmente predominantes no mundo valorizam apenas os aspectos econômicos em detrimento do desenvolvimento social. 31%
  • O desenvolvimento social é consequência natural do desenvolvimento econômico. 15%

Nossa opinião

Por muitas décadas predominou a visão de que crescendo a economia, o desenvolvimento social seria uma consequência natural. No entanto, essa visão estritamente econômica concentrou renda, aumentou a miséria e devastou o planeta. O resultado de nossa enquete demonstra a compreensão de que é preciso mais do que “crescer o bolo”, como se dizia no período da ditadura militar.

Crescimento e desenvolvimento não são sinônimos! E o desenvolvimento não pode ser reduzido ao aspecto econômico, como a lógica do mercado tenta impor. Exemplo dessa ideia é o Índice de Desenvolvimento Humano – IDH, que se contrapondo ao indicador do Produto Interno Bruto – PIB, que mede apenas o crescimento econômico, inclui indicadores como acesso à educação, expectativa de vida e condições de habitação como argumentos contundentes para se considerar a melhoria das condições de vida das pessoas.

Também a visão de desenvolvimento sustentável, representada, por exemplo, pela Agenda 21, se insere como alternativa ao considerar o desenvolvimento humano e ambiental como prioritários. Portanto, pensar e projetar desenvolvimento significa articular e harmonizar as perspectivas econômica, social e ambiental. Tudo isso sem desconsiderar que nesse modelo predominante de globalização de mercados, o viés do local é agenda obrigatória para consolidar o desenvolvimento que valorize suas vocações (ou crie novas), características e potencialidades. E que considere a participação efetiva de seus atores, principalmente a sociedade civil.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Cidadania

Resultado de nossa enquete: as iniciativas da sociedade civil, tais como o Fórum Social Mundial - FSM contribuem de fato para uma mudança na relação política entre o Estado, a iniciativa privada e a sociedade civil?

Sim. A pressão que esses eventos exercem começa a mudar as relações internacionais, fortalecendo a participação dos movimentos sociais nas decisões políticas 60%

Não. A mídia reproduz o pensamento único, que predomina em eventos como o Fórum Econômico Mundial – FEM de Davos, contribuindo para uma baixa politização da sociedade 19%

De um modo geral, a sociedade civil mundial está alheia a tais movimentos políticos, uma vez que os interesses individuais têm predominado 21%



NOSSA OPINIÃO


O resultado de nossa enquete nos leva a algumas considerações que expressam tanto a insatisfação em relação a conjuntura atual, quanto à descrença na possibilidade de mudança desta. No primeiro caso, a insatisfação se manifesta no entendimento de que a mobilização da sociedade civil, ou seja, a articulação coordenada dos espaços de poder que não compõem o Estado stricto sensu como movimento sindical, associações de classe, organizações religiosas etc., tem condições de exercer poder de pressão sobre a forma de se conduzir a coisa pública. Nesse sentido, os 60% que assim entendem, compreendem que a sociedade civil, em sua atuação política, organiza o poder sob nova perspectiva ao compor, desse modo, a concepção de um Estado ampliado.

Não podemos deixar de observar, contudo, o outro aspecto do resultado da enquete. Consideremos o fato dos 19% responderem que a ação da sociedade civil não contribui para mudar as relações sociopolíticas, o que indica a descrença na própria política, ou a despolitização da política. Nesse caso, a situação se torna mais grave quando colocamos nesse mesmo rol de pensamento os 21% que compreendem a sociedade alheia a esse tipo de movimento político, alegando a prevalência dos interesses individuais.

Levando em consideração que o cenário no qual tais argumentos se sustentam foram consolidados ao longo dos anos 90, momento em que a hegemonia neoliberal se afirmou, o Estado stricto sensu deveria se constituir como mínimo e a atuação da sociedade civil corresponderia a uma superação natural de relações políticas "arcaicas". Mas, paradoxalmente, limitadas ao valor mercadológico que, ao serem naturalizadas, compuzeram os padrões dos comportamentos norteadores das relações no campo social.

Entretanto, o esgotamento desse discurso, ao ser confrontado pela crise do modelo neoliberal, conferiu uma mudança de olhar dos 60% daqueles que responderam a enquete ao rediscutirem “nova” possibilidade de inserção no jogo político do poder.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Nossos artigos

Resultado de nossa enquete: dos temas publicados neste blog em 2008, quais você considerou mais relevantes?
  • Cultura 19,8%
  • Cidadania 16,5%
  • Educação 16,5%
  • Responsabilidade social 13,1%
  • Empreendedorismo 11%
  • Gestão 11%
  • Tendências 6,6%
  • Desenvolvimento local 5,5%
  • Nenhum 0%

Nossa opinião

O resultado da enquete nos estimula a continuarmos com nossa orientação inicial de oferecer artigos e opiniões que estimulem a reflexão e o debate acerca de temas que podem fortalecer a construção de uma sociedade livre e protagonista do seu processo político de transformação social. Uma esfera pública, onde a livre troca de idéias é efetiva na construção da democracia que queremos.

Os três grandes temas mais votados pela opinião dos nossos leitores foram respectivamente Cultura, em primeiríssimo lugar e Cidadania e Educação; empatados na segunda posição. O que nos deixa satisfeitos com a aceitação de nossos temas de um modo geral e provocam um acréscimo de responsabilidade à nossa atuação, principalmente tendo em mente que a abordagem cultural expressa em todos os textos de 2008, na verdade tangenciavam a questão principal da democracia cultural descrevendo a capital importância do enfoque cultural para o desenvolvimento.

Esperamos, em 2009 continuar a atender as expectativas de nossos leitores e poder apresentar ainda mais idéias em prol do fortalecimento da opinião pública brasileira.

A Plurimus, representando todos os articulistas que divulgaram seus textos em 2008 agradece aos leitores pela participação em nosso fórum de idéias e convida-os a continuarem participando ativamente de nosso blog em 2009!

Plurimus Consultoria

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Cultura

Resultado da enquete: as iniciativas das empresas em apoio a projetos culturais, via Leis de Incentivo, têm se pautado pela preocupação em promover a diversidade cultural, o livre acesso às fontes de cultura e o pleno exercício dos direitos culturais no país?

  • Sim. As empresas têm sido criteriosas em seguir o espírito da lei, na análise e decisão de apoio a projetos culturais. 4%
  • Existem boas iniciativas, mas ainda não são expressivas. 28%
  • Não. A preocupação predominante nas empresas é o marketing institucional, por meio do apoio a projetos de boa receptividade na mídia. 68%

Nossa opinião

Mais do que denotar uma profunda incredulidade na atuação social das empresas, o resultado da nossa enquete parece demonstrar ainda que a sociedade sabe qual é o verdadeiro interesse das empresas, ao investirem em projetos culturais: divulgarem uma boa imagem, revertendo o investimento em capital reputacional.

Nada contra a divulgação de boas práticas, mas as práticas têm que realmente ser boas para serem divulgadas e devem ainda seguir o mencionado “espírito das leis”. Em alguns – não são todos – casos a preocupação das empresas reflete uma estratégia frágil, do ponto de vista de utilização correta das leis de incentivo a cultura.

Um mecanismo que em vez de contribuir para a ampliação das oportunidades de cultura a uma base ampla da sociedade, desvirtuou-se em ferramenta de marketing, nas mãos de gestores pouco comprometidos com a promoção da cultura em nosso país.

Esse problema não está só no escopo de atuação das empresas patrocinadoras, está também na estratégia dos governos de aprovação de projetos que muito pouco se aproximam de uma ação preocupada com a promoção da diversidade cultural. E está ainda na sociedade, que não pressiona - já foi pior – o Estado para uma reformulação da legislação pertinente, de forma a rever as políticas públicas de concessão de incentivos fiscais às empresas.

O respeito às culturas já é um dos pilares do conceito de Sustentabilidade, justamente por ser entendido como fundamental à estratégia de “permanência” dos países, das empresas, da sociedade como um todo. É portanto, matéria de capital importância para todos!

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Responsabilidade Social Empresarial

Resultado da enquete: você acredita que a atual crise financeira irá dificultar a realização de ações de responsabilidade social, por parte das empresas no país?

Sim. O empresariado brasileiro é muito sensível a qualquer ameaça de abalo financeiro em suas empresas. 80%

• Não. Já existe uma prática consolidada de RSE na sociedade. 0%


• Ainda é cedo para uma tomada de decisão dessa envergadura. 20%

Nossa opinião

O elevado percentual de respostas Sim, evidencia, nesta enquete, um ceticismo com relação a uma efetiva orientação empresarial para a responsabilidade social. Do mesmo modo, a total ausência de respostas Não coloca em dúvida os propósitos das ações de RSE. Cabe indagar se as ações denominadas de responsabilidade social empresarial, apresentadas quase sempre com alarde, têm compromissos com a transformação da realidade da população atendida ou apenas se inserem nas estratégias de marketing institucional. É claro, que possíveis iniciativas bem intencionadas podem não estar sendo bem compreendidas. Mas por quê?