sexta-feira, 25 de julho de 2008

Cidadania Cultural

Resultado da nossa enquete: As políticas de cultura no Brasil mais efetivas na garantia do acesso à cultura de forma ampla são realizadas por qual setor?

A enquete que realizamos neste blog encerrou ontem com o seguinte resultado:
  • Primeiro, o governo é o maior incentivador da cultura no Brasil (66%)
  • Segundo, as empresas por meio de patrocínios e incentivos fiscais (20%)
  • Terceiro, as ONGs e movimentos sociais têm sido os mais participativos (20%)
Como os participantes puderam escolher mais de uma opção, não é possível somar os percentuais.

Nossa opinião

Sem desconhecer a centralidade da preocupação com a garantia dos direitos à cultura como responsabilidade genuína dos governos, opinião compartilhada pelos votantes da enquete, acreditamos que a mobilização pela garantia de tais direitos deve ser conjunta dos três setores da sociedade – do contrário jamais se chegará à almejada cidadania cultural. Em tempo de desafios complexos os grupos humanos devem atentar para o entrelaçamento das muitas dimensões implicadas no convívio coletivo. Aos governos, cabe garantir condições mínimas irredutíveis para que todos tenham acesso ao universo da cultura – Declaração Universal dos Direitos Humanos – às empresas, o engajamento efetivo na promoção das muitas expressões de cultura relacionadas a todos os seus stakeholders; e, à sociedade civil organizada o compromisso orgânico com a missão de permitir que a pluralidade de vozes legitimadoras da diversidade cultural não sofra nenhum tipo de silenciamento, principalmente os mais sutis. A cultura é o resultado de uma longa conversa em que TODOS participam, como ressaltou o intelectual há alguns anos. Não é mais permitido calar-se diante de assuntos que têm implicação direta na sustentabilidade da condição humana.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Cidadania

Reproduzimos abaixo importante mensagem do presidente do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social* sobre a campanha eleitoral que inicia.

Instituto Ethos e Pacto pela Integridade e contra a Corrupção/Empresa Limpa abraçam Campanha "Ficha Limpa".

"Prezados signatários do Pacto Empresarial pela Integridade e contra a Corrupção e Associados do Instituto Ethos,

As eleições deste ano para prefeitos e vereadores correm sério risco de dar mandato a candidatos condenados por crime comum ou de corrupção; ou ainda para aqueles que, com foro privilegiado, tenham tido denúncias acatadas por órgão judicial.

Ainda que tenhamos esperanças de que o TSE interprete a legislação eleitoral já existente de maneira a vetar a candidatura dessas pessoas, a sociedade civil e os eleitores brasileiros precisam pressionar o Congresso Nacional para que tome medidas definitivas a fim de excluir de vez da vida política os postulantes a cargos eletivos que tenham condenações de qualquer natureza.

Nesse sentido, o Instituto Ethos, ao lado de dezenas de organizações da sociedade civil e por meio do Pacto Empresarial pela Integridade e contra a Corrupção, abraça a campanha do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) para a coleta de 1,3 milhão de assinaturas para o Projeto de Lei de Iniciativa Popular “Ficha Limpa”, que impede a candidatura de políticos condenados pelo menos em segunda instância do sistema judicial.

O prazo para fazer valer essa mudança ainda em 2008 é curto, por isso precisamos ser rápidos e eficientes. Será necessário arrecadar as assinaturas imediatamente.

Precisamos de seu engajamento nesta corrente contra a corrupção e contamos com isso.


Atenciosamente,


Ricardo Young
Presidente do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social

Assine, colete assinaturas e envie imediatamente para o endereço do MCCE que consta no Formulário (arquivo PDF).

A coleta de assinaturas deve ser realizada unicamente por meio do modelo de formulário disponível, pois assim será possível comprovar que as assinaturas se referem a este projeto de lei. As assinaturas já coletadas devem ser enviadas à Secretaria Executiva do Comitê Nacional do MCCE, para serem anexadas ao projeto de lei final.
Leia mais sobre o Projeto de Lei de Iniciativa Popular “Ficha Limpa” em www.lei9840.org.br

Roteiro de Coleta das Assinaturas (arquivo PDF)
Campanha "Ficha Limpa" (arquivo PDF)

Clique aqui e confira o vídeo da campanha.
"

*www.ethos.org.br



Nossa opinião

Entendemos que o modelo de democracia representativa praticado no país, embora necessário, é insuficiente para responder de modo satisfatório às questões contemporâneas. A ampliação do processo político para a participação da sociedade civil organizada nas decisões políticas, inaugurando uma democracia participativa ou deliberativa pode se apresentar como uma alternativa bastante eficaz de planejamento, decisão e execução de políticas públicas. No entanto, aumentar a legitimidade do modelo atual buscando eleger candidatos idôneos para a representação política da sociedade é essencial para a ampliação da democracia em nosso país. Portanto, somos plenamente favoráveis à Campanha "Ficha Limpa"! Opine você também!

Educação

Reflexões sobre tendências Internacionais
da Educação Superior
Daniel Roedel*

Nos últimos anos temos verificado alterações significativas nas Instituições de Ensino Superior – IES, em âmbito mundial. A principal constatação é de que, submetida à forte competição em escala global, a educação superior está rapidamente incorporando as regras de negócio do ambiente capitalista, visando ao aumento da denominada competitividade. Dentre os aspectos desse mercado, merecem destaque:

• Tendências de Internacionalização – com o mundo cada vez mais interligado e sem fronteiras, a grande escala e os fornecedores corporativos se destacam na oferta da educação superior.

• Oportunidades pela Economia Baseada no Conhecimento – o conhecimento se torna rapidamente obsoleto, requerendo que a aprendizagem seja um processo permanente, o que favorece a oferta de programas de educação superior.

• Nova Governança – Novos Modelos de Gestão e de Financiamento – as novas pressões e demandas na educação superior estão vindo de múltiplas fontes. O ambiente competitivo da educação superior esgota os modos tradicionais de gestão e de financiamento, fazendo com que princípios de eficiência, eficácia, qualidade e de resultados, comuns à gestão das empresas, sejam gradativamente incorporados ao ambiente educacional.

• Educação à Distância (EaD) como ferramenta para a Competitividade – as novas tecnologias de informação e de comunicação permitem a realização da aprendizagem em qualquer lugar, a qualquer hora, além das fronteiras nacionais, favorecendo o atendimento das agendas sociais e as exigências do mercado.

• Garantia da Qualidade e Acreditação dos Programas Educacionais – a desregulamentação da legislação passa a ser fator essencial para o livre trânsito das relações institucionais, a captação de recursos e a formação de parcerias. A acreditação por parte de organismos nacionais e internacionais assume papel de destaque na legitimação dos cursos e das IES no mercado, em detrimento da regulamentação de órgãos governamentais.

• Ênfase no mercado - a orientação para a demanda tende a valorizar a oferta de cursos superiores que proporcionem maior retorno imediato aos investidores, em detrimento de outros com menor "apelo" de mercado. Esse aspecto é reforçado pela forte associação entre conhecimento adquirido e capital humano, que o resume a uma mercadoria comprada e vendida no mercado.

Alguns pontos merecem destaque: embora seja importante a busca do aumento da eficiência e da eficácia na orientação das IES, uma vez que a gestão de qualquer empreendimento deve considerar esses princípios, nunca se deve esquecer que a educação, em seus diversos níveis, prepara indivíduos para contribuírem com o desenvolvimento e fortalecimento da sociedade e do país. E isso que requer um forte compromisso com a construção do futuro. Portanto, o compromisso com a educação pressupõe uma orientação estratégica que a coloca além dos requisitos estabelecidos pelo mercado.

Se por um lado uma atuação transnacional da educação superior pode favorecer o intercâmbio de conhecimentos, o modo como os países emergentes optarem por se inserir nesse mercado global pode comprometer suas agendas de desenvolvimento tornando-os meros reprodutores do conhecimento gerado nos países centrais. Opção que fatalmente limitará a incorporação de novos conhecimentos essenciais para a inovação.

Outro ponto crítico reside na orientação assumida pelo MEC com relação à articulação entre ensino, pesquisa e extensão, considerados pilares da educação superior no país.

*Daniel Roedel é Diretor da Plurimus

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Responsabilidade Social Empresarial

Nem tão boazinhas*

Para muitos brasileiros, a Petrobras é hoje a empresa mais socialmente responsável do país. É o que revelou uma pesquisa recente do instituto Market Analysis, com 805 pessoas. Curiosamente, a companhia também está na lista das empresas menos responsáveis. O que explica a ambigüidade são os investimentos massivos da empresa em marketing, que tornam mais visíveis suas ações sociais — mas também seus telhados de vidro, como a própria natureza do negócio. O mesmo raciocínio se aplica à Vale, outra presente nas duas listas. Os números mostram ainda que os brasileiros se lembram mais de empresas supostamente “boazinhas” do que de companhias que tiveram problemas. A Parmalat, primeira na lista negra da responsabilidade social — devido ao escândalo da soda cáustica no leite fornecido por algumas cooperativas, no segundo semestre de 2007 —, foi lembrada por apenas 10,6% dos entrevistados.


As melhores em responsabilidade social(1)...
Petrobras 19,8%
Coca-Cola 4,8%
Vale 3,8%
Bradesco 3,1%
Votorantim 2,3%
...e as piores
Parmalat 10,6%
Souza Cruz 5,8%
Telemar 5,3%
McDonald’s / Telefônica / Petrobras / Vale / Companhia de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) 1,9%
(1) Percentual dos 805 entrevistados que mencionaram a empresa

Fonte: Portal Exame - Gestão & Idéias. Para acessar clique em Gestão.


Resultado da enquete da Plurimus:
Por que as empresas têm tomado iniciativas em Responsabilidade Social?

A enquete que realizamos neste blog encerrou ontem com o seguinte resultado: Por que as empresas têm tomado iniciativas em Responsabilidade Social?

  • Estratégia de marketing
(61%)
  • Pressão da sociedade
(44%)
  • Maior consciência das lideranças empresariais
(22%)

Como os participantes puderam escolher mais de uma opção, não é possível somar os percentuais.


Nossa opinião


De fato, a Responsabilidade Social Empresarial (RSE) ainda não é assumida como como orientação estratégica nas empresas. Predominam uma forte comunicação e ações de marketing, em detrimento de uma nova orientação na condução dos negócios. Como abordado em artigo recente neste blog, a RSE implica em compatibilizar os aspectos econômicos, sociais e ambientais visando um desenvolvimento sustentável, que garanta a qualidade de vida para a sociedade atual e as gerações futuras. Desse modo, a matéria do portal da Revista Exame e a enquete que fizemos reforçam que ainda temos um longo caminho a percorrer. É possível às empresas adotarem uma prática que vá além do mercado, em respeito aos indivíduos e à natureza? Que papel deve desempenhar a sociedade civil na busca dessa compatibilização entre o econômico, o social e o ambiental? Como o poder público pode e deve atuar? Opine!