sábado, 1 de janeiro de 2011

Enquete Plurimus


Educação e Cultura de qualidade para todos


Resultado de nossa enquete: na sua opinião qual deveria ser o foco das políticas públicas da próxima gestão do governo do estado do Rio de Janeiro?

a) Educação e Cultura de qualidade e para todos, para que se inicie um processo sustentável de reversão do trágico quadro de marginalização da juventude 67%

(b) Trabalho e Renda, como uma estratégia de diminuição das desigualdades e de inclusão social 11%

(c) Saúde e Habitação, visto que as políticas desses setores vêm sendo negligenciadas há tempos pela gestão pública 7%

(d) Planejamento urbano, incluindo projetos e ações de melhorias de infra-estrutura urbana e principalmente de segurança pública 15%

Nossa opinião

O resultado da enquete reforça que os leitores da Plurimus têm a exata percepção do grande problema social causado pela desigualdade. Quando quase 70% dos respondentes identificam que o foco das políticas públicas da próxima gestão do governo do estado do Rio de Janeiro deveria ser a promoção de educação e cultura para todos, como forma de reversão de um quadro de marginalização da nossa juventude. O consenso parece gritar o seguinte: acreditamos que condições semelhantes de partida podem permitir trajetórias exitosas.

Ficamos orgulhosíssimos com esse brinde à cidadania proporcionado pelos nossos leitores. Afinal, fim de ano, início de um novo ciclo de gestão do nosso estado, é sempre tempo de sentir esperança de que as pessoas são o ativo mais importante que o Rio de Janeiro possui. E que tratando de municiar esse povo de condições de desenvolvimento, nosso estado protagonizará uma bela história.

Não podemos deixar de mencionar, é claro, nosso segundo lugar na resposta dos leitores: planejamento urbano, isto é, infra-estrutura e segurança pública. Então fica um recado para os nossos governantes, mas sobretudo para nós mesmos, cada um de nós como uma espécie de observatório individual da realidade social que gostariamos de presenciar em nossas cidades e em nosso estado. Se essa é realmente uma demanda social desse nosso tempo, devemos nos aproximar da gestão pública, monitorar os avanços nesse sentido e cobrar energicamente resultados concretos de mudança.

Tomar parte em discussões e fóruns - sejam quais e em que quantidade forem - onde se possa fazer ouvir a voz de quem emanou os formuladores e executores das políticas públicas, do poder de representar a cada um de nós em nossas demandas mais prioritárias e urgentes. Participar ativamente da construção do Rio de Janeiro que queremos.

Feliz 2011! Votos de um ano cheio de grandes projetos e sustentáveis avanços!

Equipe Plurimus Educação e Cultura

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Educação


Avaliação da OCDE

Assista a entrevista do Historiador Hiran Roedel, diretor da Plurimus, na Globonews, sobre o Brasil e a avaliação da educação feita pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico - OCDE.

Clique em
Educação.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Preconceito


As razões do medo*

Por Mauro Santayana

É com amargura que somos obrigados a retomar o tema, mas o silêncio, nesse caso, é criminosa cumplicidade. Trata-se da estúpida e perigosa reação de jovens dos estados do Sul, sobretudo de São Paulo, contra os brasileiros do Nordeste, desta vez com relação aos resultados eleitorais. O racismo é abominável, ao não aceitar os seres humanos diferentes, mas é também incômodo ao revelar a profunda ignorância dos que o praticam. Todos os homens são iguais em sua essência, e a moderna biologia vai além: as diferenças entre os seres humanos e os demais mamíferos são insignificantes.

A vida é a aventura comum da matéria. Não conhecemos suas razões e provavelmente jamais as conheceremos. Os grandes aceleradores de partícula podem identificar o bóson de Higgs, em que, conforme a presunção de alguns físicos, Deus poderá ser encontrado. Mas, ainda que ali o encontrássemos, seria impossível com ele dialogar e conhecer as suas razões para criar o cosmo. Restará sempre a dúvida: por quê? Por que a vida, por que a morte, por que o ódio?

Como seres humanos, tivemos que lutar pela sobrevivência contra outros seres vivos, das feras pré-históricas aos vírus e bactérias identificados em nosso tempo, e contra seus vetores, como os ratos e os insetos. Como seres humanos, não temos sabido conviver uns com os outros, como provam as guerras, e o racismo – suprema manifestação da ignorância – não é só um sentimento dos homens primitivos, que sobrevive entre nós. É a exposição mais transparente da debilidade, do medo. Esses jovens de São Paulo e de outras cidades meridionais, no fundo, não desprezam os nordestinos. Temem, apenas, que eles os venham suplantar, o que já começa a ocorrer. O desempenho intelectual de moças e rapazes das universidades de Campina Grande, de Natal, de Recife – entre outras – está surpreendendo os observadores, principalmente no que se refere ao conhecimento científico.

As pessoas, quando aprendem a pensar, tornam-se poderosas – e riem dos preconceitos. Para aprender a pensar, basta duvidar das verdades tidas como absolutas. A única verdade absoluta é a morte. Temos que combater todos os racismos, mesmo quando eles se disfarçam na “defesa” da própria “raça”. Esse combate se inicia na constatação de que raça é substantivo abstrato. Não existem raças humanas. Houve, como confirma a ciência, durante a peregrinação da espécie, a partir da África, a adaptação dos seres humanos às condições próprias das latitudes, da alimentação, do clima, o que resultou na cor da pele e em outras alterações do corpo. Somos todos “afrodescendentes”, para fazer concessão a outra violação do bom-senso, que é o uso dos termos “politicamente corretos”. Se black is beautiful, por que rejeitar a palavra negro?

Mas, no caso dos nordestinos, não é o preconceito “racial” que atua. Eles são discriminados porque, em sua imensa maioria, são pobres. Sua pobreza secular é resultado de duas catástrofes: uma, natural, a da seca; outra, social, a da cruel opressão das oligarquias. Essas duas tragédias os tangeram à migração. Sendo-lhes negada a educação, viram-se, nos estados desenvolvidos, obrigados aos trabalhos mais penosos e mal remunerados. Da mesma forma que não há preconceito contra os negros ricos, tampouco há contra os nordestinos ricos; nem há no Nordeste mais mestiços do que no resto do Brasil. Ao contrário: numerosas de suas famílias descendem dos holandeses e franceses que ocuparam a região, e deixaram sua marca genética, na cor da pele, dos cabelos, dos olhos. O que eles temem é a ascensão dos pobres ao poder, nordestinos ou não, como é o caso de Lula.

É necessário impedir que a infecção se alastre. Ela deve ser cauterizada logo, pela ação rápida e severa da Justiça.

*Extraído do Jornal do Brasil. Para acesso clique em JB.