quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Educação Superior


Faculdade Senac cria curso com nova abordagem para a competitividade sustentável

O tema Inteligência Competitiva tem se inserido na gestão empresarial como alternativa para monitorar o ambiente externo, identificando as melhores práticas existentes, as estratégias adotadas pelos concorrentes, demandas de clientes, tecnologias e tendências gerais dos negócios, visando subsidiar a tomada de decisão empresarial. O foco é uma competitividade sustentável. Porém, essa competitividade está concentrada na perspectiva econômica, o que não é mais suficiente. Hoje é entendido que o acirramento da competição em escala mundial ocasionou diversos problemas ambientais e sociais, fazendo com que os consumidores, cada vez mais investidos de cidadania, incorporem um aumento da consciência ambiental e da melhoria da qualidade de vida como requisitos para a competitividade empresarial. É a denominada gestão para a sustentabilidade, que busca compatibilizar a eficiência econômica com a ambiental e a social, dentro de uma perspectiva de construção do futuro para as empresas e a sociedade em geral. Essa articulação é denominada de visão triple botton line.

Esse é um dos propósitos do novo curso de pós-graduação lato sensu em Estratégia Empresarial e Inteligência Competitiva que será realizado pela Faculdade Senac, no Rio de Janeiro. Desenvolvido e coordenado por Daniel Roedel, Diretor da Plurimus, o curso se propõe a formar Analistas Estratégicos de Informação, capazes de identificar, recuperar, analisar, disseminar e usar a informação relevante e prioritária para auxiliar o processo de tomada de decisão. O Analista pode atuar em organizações públicas e privadas, de qualquer porte ou ramo de atuação, ou empreender negócio próprio como consultor de inteligência competitiva.


No entanto, para ser relevante e poder proporcionar vantagem competitiva, a informação deve atender de modo integrado, as perspectivas econômicas, sociais e ambientais.

Para informações sobre o programa do curso procure a FATEC - FACULDADE DE TECNOLOGIA SENAC RIO, Rua Santa Luzia, 735 - 5º Andar - Centro - Rio de Janeiro - RJ - CEP 20030-040 Tel.: (21) 2517-9252 / 9282 Fax: (21) 2517-9249 Email: posgraduacao@rj.senac.br.

Cidades sustentáveis


Resultado de nossa enquete: é possível o Rio de Janeiro promover os Jogos Olímpicos de 2016, preservando o ambiente e garantindo a sustentabilidade, conforme tem sido divulgado pelos organizadores da candidatura?

  • Sim. Esse é o grande diferencial da candidatura do Rio de Janeiro 39%
  • Não. É apenas mais uma retórica para aproveitar um tema do momento 16%
  • O Rio de Janeiro não tem qualquer chance de realizar os Jogos Olímpicos, porque concorre com potências econômicas 3%
  • O Rio de Janeiro pode dar um grande exemplo de como equilibrar desenvolvimento econômico e responsabilidade socioambiental 42%

Nossa opinião

As respostas evidenciam um sentimento amplamente favorável à possibilidade de que o Rio de Janeiro realize Jogos Olímpicos, preservando o ambiente e garantindo a sustentabilidade. É claro que o desejo de que esse evento se realize na cidade, aliado ao apoio da mídia pode influenciar tais expectativas. No entanto, ter a sustentabilidade como tema central pode significar um importante caminho para a aplicação dos vultosos investimentos previstos. O Rio é uma cidade que ainda tem a natureza como importante diferencial, apesar da atuação devastadora da especulação imobiliária e dos efeitos que a miséria e o descaso com os temas sociais historicamente ocasionaram no ambiente.

Assim, a propalada intenção de realizar uma olimpíada sustentável pode ser uma oportunidade, desde que sua execução não se torne mais uma retórica oficial ou uma maquiagem adotada apenas para favorecer a uma “estratégia de marketing”. As organizações da sociedade civil que tem compromisso com a sustentabilidade devem vigiar e cobrar uma execução de fato de um projeto olímpico sustentável, mesmo que ele não seja olímpico.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Lei de Incentivo à Cultura


Incentivo perde abatimento de 100%
Jotabê Medeiros

O texto da reforma da Lei Rouanet deve trazer uma novidade que promete gerar acalorada discussão: não haverá mais a possibilidade de dedução de 100% do valor investido num projeto com renúncia fiscal.

No início do plano de reforma, anunciado no primeiro semestre, o novo texto previa 6 faixas de dedução do imposto devido para fins de renúncia fiscal: 100%, 90%, 80%, 70%, 60% e 30%. Os debates subsequentes, no entanto, teriam criado a sensação de que era preciso exigir uma contrapartida maior da iniciativa privada.

Segundo o Ministério da Cultura, os próprios empresários pleitearam a participação de no mínimo 20% de dinheiro privado no processo de incentivo fiscal. "É um piso mínimo. Dessa forma, o mecenato será de fato uma parceria público-privada", diz o ministro interino da Cultura, Alfredo Manevy.

Manevy diz que prefere não falar no "fim dos 100%" de abatimento, para não criar um "pavor injustificado" entre os produtores culturais. Segundo o governo, o fato de que o novo sistema de incentivo fiscal terá fundos de incentivo direto (sem a necessidade de captação no mercado) será suficiente para dar segurança às artes.

Pela nova legislação, metade do dinheiro arrecadado pelo Fundo Nacional de Cultura deverá ser obrigatoriamente repassado a Estados e municípios. Mas trata-se de um dinheiro "carimbado", ou seja, não poderá ser utilizado em despesas de custeio dos Estados e municípios - terá de ser necessariamente transferido a artistas e produtores por meio de editais públicos.

A extinção dos 100% de dedução fiscal já provoca uma grita forte em alguns setores da cultura. "Vai ser um apagão cultural", brada Odilon Wagner, presidente da Associação de Produtores Teatrais Independentes (APTI). "Eles vão dar o golpe fatal e enterrar a cultura de vez", reclamou

Segundo Wagner, as grandes empresas que propuseram a contrapartida mínima de 20% já têm condições de bancar esse investimento, mas é um universo pequeno entre os financiadores da cultura. "E as pequenas? Temos entre 3 a 4 mil empresas apenas apoiando a cultura, e a maioria são pequenas. Com 100% de dedução fiscal a gente já não consegue patrocínio, então imagina com 80%", afirmou o ator, que diz que sua reivindicação é referendada por mais de 50 entidades do País.

A posição de Odilon não é majoritária. Movimentos de teatro como o Grupo 27 de Março e o Movimento Redemoinho (que une grupos teatrais de 14 Estados do País) querem a supressão pura e simples do mecanismo de renúncia fiscal. A Cooperativa Paulista de Teatro defende um sistema mais sólido de apoio federal à cultura, com a aprovação da PEC 150 (emenda constitucional que destinaria 2% do Orçamento da União para o setor. Outros produtores ouvidos pela reportagem perguntam se a decisão foi acompanhada de um estudo de impacto no emprego do setor. "As empresas dizem que topam entrar com 20%, mas manterão volume de investimentos? Essa é a questão", disse um consultor.

A reforma da Rouanet (Lei n.º 8.313, criada em 1991 e principal fonte de incentivo cultural no País) atrasou em relação à previsão inicial. Nem os próprios dirigentes de fundações e institutos ligados ao ministério conhecem seu teor completo. Segundo o MinC, esta semana haveria a última reunião na Casa Civil para formatar o projeto.

Fonte: Jornal Estado de São Paulo. Para acesso completo clique em Estadão.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Epidemias

Quem manda é a indústria

José Saramago

Não sei nada do assunto e a experiência direta de haver convivido com porcos na infância e na adolescência não me serve de nada. Aquilo era mais uma família híbrida de humanos e animais que outra coisa. Mas leio com atenção os jornais, ouço e vejo as reportagens da rádio e da televisão, e, graças a alguma leitura providencial que me tem ajudado a compreender melhor os bastidores das causas primeiras da anunciada pandemia, talvez possa trazer aqui algum dado que esclareça por sua vez o leitor.

Há muito tempo que os especialistas em virologia estão convencidos de que o sistema de agricultura intensiva da China meridional foi o principal vetor da mutação gripal: tanto da “deriva” estacional como do episódico “intercâmbio” genômico. Há já seis anos que a revista Science publicava um artigo importante em que mostrava que, depois de anos de estabilidade, o vírus da gripe suína da América do Norte havia dado um salto evolutivo vertiginoso. A industrialização, por grandes empresas, da produção pecuária rompeu o que até então tinha sido o monopólio natural da China na evolução da gripe.

Nas últimas décadas, o setor pecuário transformou-se em algo que se parece mais à indústria petroquímica que à bucólica quinta familiar que os livros de texto na escola se comprazem em descrever. Em 1966, por exemplo, havia nos Estados Unidos 53 milhões de suínos distribuídos por um milhão de granjas. Atualmente, 65 milhões de porcos concentram-se em 65.000 instalações. Isso significou passar das antigas pocilgas aos ciclópicos infernos fecais de hoje, nos quais, entre o esterco e sob um calor sufocante, prontos para intercambiar agentes patogênicos à velocidade do raio, se amontoam dezenas de milhões de animais com mais do que debilitados sistemas imunitários. Não será, certamente, a única causa, mas não poderá ser ignorada.

No ano passado, uma comissão convocada pelo Pew Research Center publicou um relatório sobre a “produção animal em granjas industriais, onde se chamava a atenção para o grave perigo de que a contínua circulação de vírus, característica das enormes varas ou rebanhos, aumentasse as possibilidades de aparecimento de novos vírus por processos de mutação ou de recombinação que poderiam gerar vírus mais eficientes na transmissão entre humanos”.

A comissão alertou também para o fato de que o uso promíscuo de antibióticos nas fábricas porcinas/de porcos – mais barato que em ambientes humanos – estava proporcionando o auge de infecções estafilocócicas resistentes, ao mesmo tempo que as descargas residuais geravam manifestações de escherichia coli e de pfiesteria (o protozoário que matou milhares de peixes nos estuários da Carolina do Norte e contagiou dezenas de pescadores).

Qualquer melhoria na ecologia deste novo agente patogênico teria que enfrentar-se ao monstruoso poder dos grandes conglomerados empresariais avícolas e bovinos, como Smithfield Farms (suíno e vacum) e Tyson (frangos).

A comissão falou de uma obstrução sistemática das suas investigações por parte das grandes empresas, incluídas umas nada recatadas ameaças de suprimir o financiamento dos investigadores que cooperaram com a comissão. Trata-se de uma indústria muito globalizada e com influências políticas. Assim como o gigante avícola Charoen Pokphand, radicado em Bangkok, foi capaz de desbaratar as investigações sobre o seu papel na propagação da gripe aviária no Sudeste asiático, o mais provável é que a epidemiologia forense do surto da gripe suína esbarre contra a pétrea muralha da indústria do porco. Isso não quer dizer que não venha a encontrar-se nunca um dedo acusador: já corre na imprensa mexicana o rumor de um epicentro da gripe situado numa gigantesca filial de Smithfield no estado de Veracruz. Mas o mais importante é o bosque, não as árvores: a fracassada estratégia antipandêmica da Organização Mundial de Saúde, o progressivo deterioramento da saúde pública mundial, a mordaça aplicada pelas grandes transnacionais farmacêuticas a medicamentos vitais e a catástrofe planetária que é uma produção pecuária industrializada e ecologicamente sem discernimento.

Como se observa, os contágios são muito mais complicados que entrar um vírus presumivelmente mortal nos pulmões de um cidadão apanhado na teia dos interesses materiais e da falta de escrúpulos das grandes empresas.. Tudo está contagiando tudo. A primeira morte, há longo tempo, foi a da honradez. Mas poderá, realmente, pedir-se honradez a uma transnacional? Quem nos acode?

Extraído de Carta Maior. Para acesso clique em Carta.